2024/25: a safra em que o Marrocos dobrou suas exportações
As exportações marroquinas de abacate cresceram por cinco anos comerciais consecutivos. Depois do então recorde de 56.700 toneladas em 2023/24, os embarques praticamente dobraram para 112.000 toneladas em 2024/25, segundo a EastFruit. A receita de exportação superou US$ 300 milhões pela primeira vez, e o abacate respondeu por mais de 10% da receita de exportação de frutas do Marrocos.
O pico veio em janeiro de 2025, com 32.600 toneladas embarcadas em um único mês — mais do que o Marrocos exportou em toda a safra 2019/20. Em volume, o abacate foi a terceira fruta mais exportada pelo Marrocos em 2024, atrás apenas da tangerina e da melancia.
No ano civil, a Tropical Fruits Market Review preliminar da FAO (janeiro de 2026) estima as exportações marroquinas de abacate em cerca de 141.000 toneladas em 2025, alta de 90%. Com isso, o Marrocos tornou-se pela primeira vez o maior exportador de abacate da África, à frente do Quênia (cerca de 105.000 t) e da África do Sul (cerca de 80.000 t). A África como um todo embarcou cerca de 430.000 toneladas, e as exportações mundiais chegaram a cerca de 3,3 milhões de toneladas.
Fontes: EastFruit (2021/22, 2023/24, 2024/25), Associação Marroquina do Abacate via FreshPlaza (2025/26), *estimativa do exportador Ahmed Bouljid via FreshPlaza, 22 set. 2026 (2026/27, previsão). 2022/23 não exibida: nenhum número consolidado final verificado.
Para onde vão os abacates marroquinos: mercados de destino
A Europa continua sendo o principal mercado, mas a distribuição mudou. Em 2017/18, cerca de três quartos das exportações iam para a Espanha, boa parte para reexportação. Em 2024/25, os exportadores marroquinos já vendiam muito mais diretamente para varejistas e importadores na Europa e além.
| Posição | Mercado | Participação | Tendência vs 2023/24 |
|---|---|---|---|
| 1 | Espanha | >35% | Participação em queda |
| 2 | França | 25% | Participação em alta |
| 3 | Holanda | 22% | Participação em alta |
| 4 | Reino Unido | 7% | Mercado estável no top 5 |
| 5 | Alemanha | 3% | Mercado estável no top 5 |
| — | Outros mercados (27 países no total) | 6,7% | Alta frente a 3,2% (7.600 t vs 1.800 t) |
Fonte: EastFruit, 23 de dezembro de 2025.
A diversificação é o ponto mais interessante para os compradores. A EastFruit informa que o Canadá passou de menos de 70 toneladas para mais de 1.000 toneladas, os embarques para Itália e Suíça cresceram cerca de sete vezes, para Portugal cerca de quinze vezes e para a Bélgica cerca de doze vezes. Mauritânia e Emirados Árabes Unidos continuaram crescendo e a Turquia retomou as compras — sinais de que a fruta marroquina está chegando à África, ao Golfo e à América do Norte, não apenas à UE.

Janela de exportação ideal
W45–51 nov.–dez.
As melhores semanas do Marrocos na Europa
O Hass marroquino chega às gôndolas europeias antes do aumento dos volumes israelenses no fim de dezembro.
Quais variedades de abacate o Marrocos cultiva?
O cultivo comercial de abacate no Marrocos remonta aos anos 1950, favorecido por invernos amenos e pela influência moderadora do Atlântico. A EastFruit observa que quase todas as principais variedades são cultivadas: o Hass domina as exportações, ao lado de variedades de casca verde como Gwen, Pinkerton, Zutano, Bacon e Fuerte, que estendem a safra e atendem a diferentes segmentos de mercado.
2025/26: por que as exportações caíram para 58.000 toneladas
A safra seguinte foi descrita por Abdellah El Yamlahi, presidente da Associação Marroquina do Abacate (MAVA), como “excepcional e muito difícil” (FreshPlaza, 20 de março de 2026). As exportações ficaram em cerca de 58.000 toneladas, aproximadamente metade do ano anterior, e a safra terminou mais cedo que o normal, no início de março de 2026. Vários choques se somaram:
- Ondas de calor no início do ciclo destruíram quase metade da colheita esperada.
- Enchentes e ventos fortes no fim da safra atingiram Loukkos e Gharb, as principais regiões produtoras do norte do Marrocos.
- Problemas logísticos: fechamentos de portos por causa do clima, falta de caminhões e longos atrasos prejudicaram a qualidade da fruta no fim da safra.
- Preços difíceis: os preços seguiram altos no Marrocos enquanto a Europa enfrentava excesso prolongado de oferta de outras origens, gerando disputas entre produtores e exportadores e pausas na colheita.
A pressão continuou no verão de 2026. Em agosto, Abdelkrim Allaoui, presidente da Associação dos Produtores de Abacate do Gharb, afirmou que uma onda de calor no fim de junho, acima de 36 °C por cinco dias, coincidiu com a queda natural das flores, e que alguns produtores de Tiflet, Allal Bahraoui e Sidi Yahya El Gharb consideravam arrancar árvores (FreshPlaza / Ecofin Agency, agosto de 2026).
A questão da água: o setor está em risco?
A água continua sendo o desafio estrutural do setor. Pomares de abacate precisam de cerca de 6.000–12.000 m³ de água por hectare por ano, conforme o solo e o clima, em um país que enfrenta seca prolongada. Dados oficiais citados pela FruitToday apontavam o nível das barragens marroquinas em 34,22% da capacidade em agosto de 2025.
A política já mudou. Em setembro de 2022, o Ministério da Agricultura do Marrocos encerrou os subsídios de irrigação para novos plantios de abacate, citros e melancia. Enquanto isso, a área de pomares continuou crescendo: a Ecofin Agency, com base em dados do ministério, informa que a área colhida aumentou cerca de 40% entre 2022 e 2024, e a FruitToday estima que a área plantada triplicou, de cerca de 4.000 ha em 2018 para 12.000 ha. O governo investe em barragens, dessalinização, transferências de água entre bacias e irrigação mais eficiente, mas esses projetos não eliminam a sensibilidade do abacateiro ao calor extremo.
Perspectivas 2026/27: uma boa colheita e uma janela estreita
As primeiras estimativas para a nova safra são positivas. Em setembro de 2026, o exportador Ahmed Bouljid (Entrepôt Frigorifique Lixus) estimou a produção marroquina em cerca de 180.000 toneladas e as exportações em pelo menos 125.000–130.000 toneladas, citando boas chuvas até março, temperaturas moderadas durante o desenvolvimento dos frutos e jovens pomares do Gharb, plantados há três ou quatro anos, entrando em produção. Ele espera que os calibres 16–18 representem 35–40% da colheita e o calibre 20 outros 20–25%.
A concorrência será intensa. Segundo a Unique Packing (FreshPlaza, 11 de setembro de 2026), Chile (cerca de 280.000 t) e Israel (cerca de 300.000 t) esperam safras recorde, a Colômbia prevê volumes maiores e a Espanha tem seu pico de fevereiro a abril. Por isso, os exportadores marroquinos veem as semanas 45–51 (novembro–dezembro) como sua melhor oportunidade, antes do aumento da oferta israelense no fim de dezembro. Depois de janeiro, as perspectivas seguem incertas.
Nota: os números de 2026/27 são estimativas do setor publicadas em setembro de 2026, não estatísticas oficiais. Atualizaremos esta página quando os dados da safra do Office des Changes / EastFruit forem divulgados.

Perguntas frequentes
Quanto abacate o Marrocos exporta?
Um recorde de 112.000 toneladas em 2024/25 (mais de US$ 300 milhões, EastFruit) e depois cerca de 58.000 toneladas em 2025/26, após ondas de calor e tempestades (MAVA).
O Marrocos é o maior exportador de abacate da África?
Sim. Dados preliminares da FAO indicam cerca de 141.000 toneladas no ano civil de 2025, à frente do Quênia (cerca de 105.000 t) e da África do Sul (cerca de 80.000 t).
Para onde o Marrocos exporta seus abacates?
Principalmente para Espanha (>35%), França (25%), Holanda (22%), Reino Unido (7%) e Alemanha (3%), com crescimento rápido para Canadá, Itália, Suíça, Portugal, Bélgica, Mauritânia e Emirados Árabes Unidos.
Quando é a safra do abacate marroquino?
A comercialização normalmente vai de setembro a maio, com pico no inverno. Novembro–dezembro (semanas 45–51) é a janela mais forte do Marrocos na Europa.
Quais variedades de abacate o Marrocos cultiva?
O Hass domina as exportações, ao lado de variedades de casca verde como Gwen, Pinkerton, Zutano, Bacon e Fuerte. A Le Marocain Fruits & Nuts fornece abacates Hass e Fuerte.
Por que a água é um risco para o abacate marroquino?
Os pomares precisam de cerca de 6.000–12.000 m³ de água por hectare por ano, em um país afetado pela seca. Os subsídios de irrigação para novos plantios terminaram em setembro de 2022, e as ondas de calor prejudicam cada vez mais a floração.
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Fontes
- EastFruit — Morocco’s avocado boom: exports double in MY 2024/25, 23 Dec 2025.
- FreshPlaza — Moroccan avocado exports up 25%, reach record 56,700 tons, 21 Mar 2025.
- EastFruit — Morocco may set a record in avocado exports, but the future of the industry is at risk, 23 Mar 2023 (dados de 2021/22, decisão de 2022 sobre subsídios).
- Ecofin Agency — Morocco overtakes Kenya to lead Africa’s avocado exports in 2025 (FAO Tropical Fruits Market Review, preliminar), 3 Feb 2026.
- FreshPlaza — Morocco exported 58,000 tonnes of avocados this season, 20 Mar 2026.
- Morocco World News — Morocco’s avocado exports drop after “difficult but exceptional” season, 23 Mar 2026.
- Ecofin Agency — Climate shocks put Morocco’s avocado industry under growing pressure, 13 Aug 2026.
- African Sustainability Matters — Morocco’s avocado industry faces climate test, 18 Aug 2026.
- FruitToday — The avocado challenge in Morocco: growth without water?, 11 Sep 2025.
- FreshPlaza — Morocco’s avocado recovery rests on early-season discipline, 11 Sep 2026.
- FreshPlaza — Moroccan production should come in at around 180,000 tonnes, 22 Sep 2026.

